Bebida alcoólica afeta o ganho de massa muscular?

Bebida alcoólica afeta o ganho de massa muscular?

Na atualidade, com a expansão das redes sociais e blogs fitness, a buscar por um corpo perfeito está cada vez mais em alta, e, assim, aumenta a cada dia o número de pessoas que busca por músculos torneados, principalmente entre os jovens.

Na contramão, os hábitos alimentares de muitos brasileiros, ainda vêm se mostrando distantes do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Guias Alimentares propõe como saudável.

Por diversas vezes as pessoas até mantêm a linha na alimentação durante a semana, mas aos finais de semana saem das regras. Como se diz por aí, “chutam o balde” no encontro com os amigos e cometem abusos na ingestão de alimentos e de bebidas alcoólicas.

A má alimentação até é conhecida por interferir negativamente no ganho muscular, mas será que o consumo consciente de algumas doses de álcool afeta o desempenho e o ganho de massa?

O CONSUMO DE ÁLCOOL

O consumo de álcool per capita no Brasil aumentou mais de 40% nos últimos anos, tornando o país um dos líderes no ranking.
A OMS não vê o consumo do álcool em si como um problema, mas considera que o uso excessivo e a falta de controle em certas situações podem se transformar em ameaças para a saúde.
Doses seguras para pessoas saudáveis estão abaixo de 30g de etanol por dia, o que equivale a duas latas de cerveja ou duas doses de destilado, como uísque ou pinga, e, de preferência, não diariamente. Essa quantidade normalmente não prejudica a saúde do fígado ou do coração.
É claro que o seu consumo não deve ser estimulado, todavia, caso o indivíduo opte por beber, que seja dentro dos limites, independente se esse consumo é pontual ou habitual.

EXISTE UMA RELAÇÃO ENTRE BEBIDA ALCOÓLICA E GANHO DE MASSA ?

Quando o assunto é bebida alcoólica e ganho de massa, uma das maiores polêmicas está nos seus efeitos na performance e, consequentemente, na distribuição corporal.
A resposta é bem relativa, uma vez que os efeitos do álcool no organismo e na hipertrofia vão depender de diversas circunstâncias como: dose ingerida, freqüência de consumo, tempo entre ingestão e atividade física, metabolismo do indivíduo e composição corporal.
Apesar da maioria das pessoas acreditar que o etanol produz apenas efeitos prejudiciais, estudos apontam a não-interferência de seu consumo, quando leve ou moderado, em algumas circunstâncias. Vamos discutir mais detalhadamente as doses e reações no organismo.

OS EFEITOS IMEDIATOS

Há um consenso de que o álcool é um depressor do sistema nervoso central e que desencadeia sinais como rubor na face e alterações de atenção, entre outros. Seu consumo tem um efeito deletério em uma infinidade de sistemas dentro do corpo.
Há décadas, o American College of Sports Medicine (ACSM) já se posicionou quanto ao uso de álcool em esportes, afirmando que a ingestão aguda de álcool pode exercer efeito prejudicial em grande variedade de habilidades psicomotoras, mesmo em pequenas doses.
Entre elas estão: retardo da resposta reativa, equilíbrio do corpo, estabilidade, precisão e coordenação complexa. Os tempos de reação podem ficar até 30% mais lentos.
O consumo de bebidas alcoólicas pode ser prejudicial caso o praticante de atividade física o faça no dia de treino, uma vez que teria menor destreza para a prática do exercício após a ingestão.
O organismo demora cerca de uma hora e meia a duas horas para eliminar os efeitos dos 30 gramas de álcool, aquelas 2 latas de cerveja. Caso a dose seja maior, vai aumentando-se o tempo necessário para metabolização.
Portanto, a prática de atividade física não é indicada após o consumo de bebidas, sendo necessário aguardar o período de eliminação do álcool. Além do mais, se o consumo se tornar crônico, com certeza irá atrapalhar no ritmo de treinos e interferir no ganho de massa magra.

O MECANISMO PELOS QUAIS A BEBIDA ALCOÓLICA AFETA O GANHO DE MASSA MAGRA

O etanol e seus produtos metabólicos secundários, como o acetaldeído, afetam diretamente a síntese de proteínas no tecido muscular esquelético, especialmente nas fibras musculares do tipo II, as as que mais respondem à hipertrofia.
Em pesquisas, uma diminuição de 15 a 20% na síntese proteica no músculo esquelético foi observada no músculo esquelético após 24 horas de intoxicação com etanol.
Ainda são inconclusivos os mecanismos pelos quais o álcool prejudica o músculo esquelético, mas o que se compreender bem é que sintomas como cãibras musculares, dor e perda de propriocepção são comuns quando há o consumo abusivo.

Bebida alcoólica e ganho de massa: a desidratação e a termorregulação
O álcool é um potente diurético, sendo que, para cada grama de etanol consumida, há um aumento de 10 ml na produção de urina.
Isso faz com que as pessoas sintam necessidade de urinar mais e, se não ingerir água, desidratem.
Ele também age como um vasodilatador periférico, aumentando a perda de líquido por evaporação, o que piora a desidratação.
Essa ação teria mais interferência na termorregulação e não na massa magra, se não fossem as alterações nos treinos causadas pela sensação de desidratação.
Um corpo desidratado pode apresentar tonturas e muita sede, o que impede que o exercício físico seja feito em sua plenitude.
Seu consumo também pode prejudicar a regulação da temperatura corporal durante o exercício prolongado, principalmente em ambientes frios.
Essa reação pode diminuir a força aplicada no exercício, resistência muscular, velocidade e resistência cardiovascular.

Bebida alcoólica e ganho de massa: alterações no metabolismo
O relatório da ACSM estabelece que a ingestão aguda de álcool não necessariamente influencia as funções metabólicas ou fisiológicas essenciais para as performances físicas, a depender das doses ingeridas.